Girl, Uplift your Soul!

Quando tu entenderes que tu dás o exemplo de como deves ser tratada, nunca mais vais deixar de cuidar de ti – O início da minha viagem de Autocuidado

Quando eu pensava em Autocuidado, pensava em prazer, em lazer, em entretenimento.
Quando pensava em autocuidado, tinha a ideia de que é suposto sentirmo-nos bem.

Iniciar uma viagem de autocuidado não foi de todo algo que me desse prazer ou algo que me fizesse sentir bem, pelo contrário, foi algo que me trouxe frustração, apatia, desmotivação e choros de meia noite.
Foi algo que me fez desmontar o meu ser de uma ponta a outra.
Dei por mim sem saber quem era, sem saber o que era suposto estar a fazer da minha vida, sem rumo.

Havia dias em que me sentia tão em baixo que só me apetecia deitar na cama e chorar.

E porque é que algo tão bom me trouxe tantas emoções “menos boas”?

Porque para uma pessoa que está habituada a cuidar dos outros e a amar os outros apenas, autocuidado é desafiante e não é natural, não é algo que flua por mim.
Autocuidado era algo que eu sentia, inconscientemente, não ser merecedora.

Um sofá ou uma cama e séries, para mim, era o autocuidado perfeito.

Autocuidado era a habilidade de me esquecer de mim e de focar a minha atenção em qualquer coisa exterior.

Como é que de um dia para o outro era suposto eu aprender que autocuidado é fazer exatamente o oposto daquilo que eu estava a fazer?
Como é que de um dia para o outro era suposto eu começar a trocar o sofá e as séries por exercício físico e frustração?

Como é que de um dia para o outro era suposto eu trocar o meu esparguete com ovos estrelados que eu tanto adoro por salada ou sopa?

Como é que de um dia para o outro era suposto eu mudar o meu foco de fora para dentro e explorar o meu mundo interior com olhos de ver?

Como é que de um dia para o outro era suposto eu olhar para os meus defeitos e para a minha sombra em vez de reparar nos defeitos e na sombra dos outros?

Iniciar uma viagem de autocuidado foi definitivamente um desmontar inteiro de mim.

Senti-me como se fosse um puzzle incompleto, cheio de vazios e que precisava começar de novo, do zero, para o poder completar.

Olhar para mim e ver que até chegar aos 30 sempre me vi como uma vitima da vida.
“Coitadinha de mim. Sou uma pessoa tão boa. Só penso em ajudar os outros e em fazê-los felizes. Como posso eu merecer ser tratada desta maneira?” Achava eu…

“Amiga… Tu ensinas aos outros como deves ser tratada.
Como queres tu ser tratada de maneira diferente quando nem tu mesma te tratas como te deves tratar?
Como queres que cuidem de ti quando tu não dás o exemplo?
Como queres que te respeitem quando tu não dás o exemplo?
Como queres que te valorizem quando tu não dás o exemplo?
E amiga… Como queres que te amem, quando TU não dás o exemplo?”

Pois é… Uma das coisas que o Autocuidado faz é, ele dá-te a conhecer a tua outra voz.

Toda a minha vida eu só reconheci uma voz dentro de mim…
Essa voz dizia-me que eu merecia cuidado dos outros, atenção dos outros, respeito dos outros, valorização dos outros e amor dos outros.

Até que a segunda voz chegou e me disse que para ter dos outros, preciso ter de mim em primeiro lugar.

Quando iniciei a minha viagem de autocuidado, comecei primeiramente a fazê-lo pelos outros, nomeadamente, por uma grande amiga que me iluminou o caminho e me fez iniciar esta transformação. Mas sim, é verdade, comprometi-me com os outros em como iria cuidar de mim.

E porque é que o início foi tão complicado para mim?
Porque eu só conhecia uma voz! Eu só conhecia a voz da Joana vítima e coitadinha.

De repente, vejo-me proibida de ouvir essa voz pois se a ouvisse iria diretamente para o sofá assim que chegava a casa depois de um dia mega cansativo no trabalho em vez de colocar as leggins e a t-shirt e ir suar que nem uma porca para a sala.

Se eu me permitisse ouvir essa voz, a seguir a treinar e após estar a morrer fisicamente e psicologicamente, ia finalmente tomar um banho e sentar-me no sofá a ver séries em vez de ir para a cozinha cozinhar comida saudável e sopinha.

E foi por isso que eu dei por mim sem saber quem era…
Eu já não podia ser a Joana vítima da vida. Eu tinha de ser outro alguém que não ela. Eu tinha que me transformar.

Foi então que chegou a altura em que deixou de ser pelos outros e passou a ser por mim.

Foi então que chegou a altura em que a outra voz foi ouvida e reconhecida dentro de mim.

Essa voz é uma voz que sente compaixão pela voz da vítima… Essa voz diz-lhe – “Tu já não és vítima. Isso já passou. Tu podes decidir quem és a cada minuto que passa. Quem é que tu queres ser?”

Essa voz trouxe com ela uma força, uma motivação, uma vontade de ser mais e melhor.
E é devido a essa voz que hoje, autocuidado, faz parte da minha rotina.

É devido a essa voz, que hoje, eu olho ao espelho, e consigo conectar-me com o meu corpo e começar a gostar do que vejo.

É devido a essa voz, que hoje, eu deixei de ser tão dependente dos outros e comecei a libertar-me da necessidade de ser valorizada, respeitada e amada por eles.

Eu deixei de precisar de preencher os vazios que existem dentro de mim com o amor e a atenção dos outros, tudo porque descobri como os preencher sozinha.

Hoje, sinto-me uma badass. Sinto-me mais forte, mais centrada, mais abençoada.
Hoje, desfruto da minha companhia e cada dia que passa aprendo a amar-me mais.

E sabes uma coisa? Os outros, notam. Eles não só notam, como me acompanham!

Portanto, amiga, agora eu pergunto-te – Quem é que tu queres ser?

Quando tu entenderes que tu dás o exemplo de como deves ser tratada, nunca mais vais deixar de cuidar de ti.

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